07Ago, 2017
Plano de Irrigação: uma perspectiva para o Brasil dobrar a sua área irrigada em 10 anos

Plano de Irrigação: uma perspectiva para o Brasil dobrar a sua área irrigada em 10 anos

61 milhões de hectares. Este é potencial de expansão da agricultura irrigada no País, segundo aponta o Plano Nacional de Irrigação. Anunciado pelo Ministério da Agricultura Pecuário e Abastecimento (MAPA) em maio de 2016, o documento foi elaborado com base nos resultados da Análise Territorial para o Desenvolvimento da Agricultura Irrigada, realizado pelo extinto Ministério da Integração Nacional, em parceria com a Escola Superior Luiz de Queiróz (Esalq-USP) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Atualmente o Brasil possui 6,1 milhões de hectares de cultivos sob irrigação. Por meio do Plano para Expansão, Aprimoramento e Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Irrigada no Brasil, o Mapa prevê uma expansão de 5 milhões de hectares de área irrigada para os próximos 10 anos, perfazendo a marca dos 11,2 milhões de hectares irrigados.

Juntamente com o avanço em quantidade de hectares, o plano prevê ainda metas para melhorar qualitativamente a produtividade, que saltaria dos atuais 3,4 para 4 toneladas por hectare, o que deve impactar na geração de até 7,5 milhões de empregos diretos e indiretos; na promoção do uso racional da água e na minimização de perdas agrícolas em decorrência de problemas climáticos.

Plano Diretor

Para sua factibilidade, o plano prevê a necessidade de implantar políticas públicas que diminuam a pressão na abertura de novas áreas de produção irrigadas e que incentivem investimentos em tecnologia de produção sustentável. Neste sentido, os esforços do MAPA estão concentrados, num primeiro momento, na ampliação da área irrigada no País em 1,5 milhão de hectares até 2019; na implantação de três centros de referência em agricultura irrigada; na capacitação de 20 mil produtores e técnicos; na implementação do Cadastro Nacional de Irrigantes e na implantação de 50 unidades demonstrativas no País.

Bom Histórico

A agricultura irrigada nacional apresentou no decorrer dos últimos 50 anos um crescente desenvolvimento. Dados do IBGE e da Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que o setor cresce anualmente entre 4,4% e 7,3%. Em 2016, por exemplo, números divulgados pela Câmara Setorial de Equipamento de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Industria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) indicam 218,5 mil hectares de crescimento na área irrigada do Brasil, representando 4% de incremento em relação ao ano anterior.

Grande parte deste crescimento se deve ao uso de equipamentos de pivôs centrais nas propriedades. Relatório da Embrapa revela que existe cerca de 20 mil pivôs centrais irrigando uma área de 1,275 milhão de hectares no Brasil, indicando um crescimento de 43% no uso da tecnologia entre 2006 e 2014. Aliás, o pivô central é o sistema mais outorgado pela ANA, que é responsável pela concessão do direito de uso de recursos hídricos em corpos d’água da união.

Importância da Representatividade

Marcos Tessler, diretor da área de desenvolvimento de negócios da Netafim e presidente da CSEI da Abimaq, enfatiza a importância do órgão como representante das indústrias do setor frente às políticas destinadas ao fomento da irrigação e às questões ligadas à energia elétrica no país. Ele afirma que mesmo com a crise e as restrições de financiamento, o crescimento do mercado aponta para a expansão contínua do segmento.

“Está provado que a irrigação é uma das técnicas mais importantes para o aumento de produção e produtividade no campo, e o mercado já entende. A tendência num país tão grande é verticalizar um pouco mais a produção, produzindo mais por unidade de área e baixar o custo, que são os grandes benefícios da irrigação aumentando muito a rentabilidade do agricultor”, explica.

Doutor em engenharia agrícola, Tessler discorre sobre os benefícios econômicos e o retorno de investimento viabilizado pela adoção da agricultura irrigada, analisando a vocação natural da tecnologia para diminuir o custo de produção e aumentar a produtividade regionalmente.

“É preciso dividir o Brasil em três grandes blocos para considerar os diferentes grandes climas regionais. No Nordeste não existe possibilidade de uma agricultura moderna e sustentável sem irrigação, o clima demanda muita água, as condições são extremas. E as culturas respondem muito bem porque existe muita luminosidade e calor. No Sudeste tem índice pluviométrico melhor, existe uma agricultura não irrigada. Mas quando se irriga os resultados também aparecem, a produção aumenta pelo menos em 40, 45% até mais. Com as mudanças climáticas, o risco, mesmo no Sudeste, de não irrigar é muito alto. O terceiro bloco é o Centro-Oeste, que hoje paga a conta do Brasil, com o agronegócio brasileiro, a produção de soja e milho, também se beneficia muito da irrigação com a mesma margem de elevação de produtividade do Sudeste. Hoje, a gente irriga pomares de maçã no Rio Grande do Sul, Santa Catarina; uva no Sul, no Vale do São Francisco, melão e frutas tropicais no Nordeste; café e laranja em São Paulo e os grãos no Centro-Oeste. O tempo de retorno do investimento em geral é de 2 a 4 anos. Há cultivos de ciclo muito curto como o melão, onde o retorno é mais rápido e há cultivos como manga e uva em que o retorno é um pouco mais demorado”, comenta.

Energia e licença ambiental

Alfonso Sleutjes, presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP), reforça outros desafios encontrados com as restrições das leis ambientais e os problemas de fornecimento de energia elétrica.

“Dos pontos para alavancar a irrigação, o gargalo mais importante creio que seja o da licença ambiental para construção de barramentos. Hoje, é quase impossível conseguir uma licença ambiental para construir um barramento novo, onde tem que fazer supressão de mata, de árvore nativa ou de uma área de APP. E um dos pontos que poderia facilitar isso é tornar os barramentos de uso privado, em utilidade pública e interesse social para facilitar o processo de licenciamento”, diz.

“Outro ponto é a questão da energia elétrica. Temos uma energia elétrica de baixa qualidade com baixa disponibilidade, não só em regiões como Mato Grosso e Goiás, como dentro dos polos de irrigação, onde existem problemas de fornecimento de energia. E no período de maior demanda energética há muita oscilação de tensão, com queima de equipamentos”, revela Sleutjes. 

O que pensa a ASPIPP

Maurício Swart, presidente da Associação do Sudoeste Paulista de Irrigação e Plantio na Palha (ASPIPP), que atua em 12 mu5nicípios com mais de 40 mil hectares de cultivos irrigados, compartilha a experiência transformadora vivida na região. 

“A irrigação transformou o Sudoeste Paulista, antes conhecido como ramal da fome, em polo de produção agrícola sustentável de alta tecnologia. São mais de 30 anos de instalação dos primeiros pivôs centrais, onde hoje se encontra altas diversidades de culturas bem rotacionadas, ao lado de inúmeros reservatórios de água que estão cercados por matas nativas com fauna e flora abundantes.

E para ampliar a área irrigada no Brasil precisamos ampliar os investimentos em reservatórios de água desburocratizando as outorgas d’água e de construção de barramentos, precisamos investir mais em capacidade energética, capacitação e treinamento dos produtores para o ingresso na agricultura irrigada.”, enfatizou Swart.

Noroeste Paulista

Finalmente, em relação às pesquisas na área da irrigação, os esforços estão comprometidos com a eficiência do uso da água. Segundo Fernando Tangerino, a Unesp tem observado as culturas da cana, citros, feijão e milho. E os trabalhos abrangem a caracterização das áreas irrigadas, disponibilidade de água, monitoramento climático da região e determinação de coeficientes e indicadores que permitem precisão no manejo da irrigação. 

“Aqui, no Noroeste Paulista, com as maiores taxas de evapotranspiração do Estado de São Paulo e com oito meses de déficit hídrico anual, a agropecuária de alto nível somente vai se concretizar se alicerçada em sistemas de irrigação. Então, parte do nosso trabalho envolve convencimento para que haja efetiva expansão da agropecuária irrigada”, conclui o pesquisador.

 Colaborou: AI Febrapdp

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