Em meados da década de 70 iniciavam-se os estudos em Sistema de Plantio Direto na região que era conhecida popularmente como Vale da Fome, denominada de tal forma, pois originalmente se localizava justamente na metade do trecho dos viajantes de trem que ligava São Paulo - capital a Curitiba. Este percurso demandava tempo suficiente para os estômagos sentirem fome, pois a viagem não tinha parada, nas proximidades desta região e os olhos avistarem o cenário mais pobre do Estado paulista. 
Com o passar dos anos, através da expansão desta técnica, e com a adoção de sistemas de irrigação por aspersão, transformaram a região sudoeste paulista em um pólo de tecnologia agrícola e grande produtora de alimentos e derivados. 
Com o intuito inicial de reduzir a erosão hídrica e eólica que assolavam os solos mais arenosos, os pioneiros já pesquisavam, em 1975, um novo manejo para a agricultura. Realizaram então, dois anos mais tarde, os primeiros ensaios, em uma área de 25 hectares, na Fazenda Fonte Boa, no bairro conhecido por “Takaoka”, no município de Itapeva. 
As primeiras lavouras apresentaram preocupações principalmente com a competição de plantas invasoras, pois a técnica ainda era pouco difundida e os agricultores se deparavam com a falta de informações sobre tecnologia de aplicação, escolha de herbicidas específicos e os estádios fenológicos de pulverização.
O aprimoramento se alcançou fruto do empenho dos agricultores em pesquisas, em viagens técnicas trocando informações e experiências com produtores de regiões distintas que também implantavam o sistema. O auxilio da assistência técnica veio mais tarde, sempre embasada na rotação de culturas, na experimentação e utilização de coberturas do solo, no manejo integrado de pragas, doenças e ervas daninhas. 
Após alguns anos, devido as grandes vantagens, o sistema já se expandia rapidamente pelos campos de produção, e seus benefícios, como em todas as regiões que adotam o plantio na palha, já puderam ser notados. O controle da erosão permitiu que o grande volume de água da bacia hidrográfica do Alto Paranapanema mudasse de tom avermelhado para cor cristalina. 
A melhor estruturação do solo, analisada hoje pela maior concentração de agrônomos do país*, se originou através dos benefícios do aumento da água armazenada no solo, da redução de oscilação térmica, no incremento de matéria orgânica e pelo acréscimo de atividade biológica gerada no sistema de plantio direto.
Também os trabalhos visando à correção inicial da área e posterior manutenção da fertilidade do solo, permitiram que áreas com menor teor de argila antes considerada menos fértil se transformassem em terras mais produtivas e com maior facilidade operacional. 
Constantes adaptações em máquinas e implementos, principalmente em plantadeiras, necessitaram ser realizados ano a ano. Os pulverizadores e suas diversas aplicações também passaram por ajustes tanto em sua composição como na utilização de diferentes ingredientes ativos dos defensivos químicos para atingir as diversas pragas que atacam as lavouras.
A evolução das técnicas foi de grande valia para atingir o nível de cobertura e riqueza que o solo merece, de modo que o sistema em si permite manter ou ate aumentar as produtividades, reduzindo os custos de produção, diminuindo o consumo de combustível e, ainda, seqüestrando o carbono da natureza, resultando em menores impactos ambientais.
A irrigação por aspersão foi introduzida em 1986, em busca de dar maior segurança e estabilidade as produções. Já neste ano, sete equipamentos centrais foram instalados, daí então, ate hoje não param mais de expandir em áreas que eram consideradas de baixa produtividade, tornando os solos altamente produtivos e viabilizando a prosperidade da região.
A grande diversidade na rotação de culturas anuais se encontra atualmente na região em campos que mais parecem um mosaico colorido de talhões sem irrigação que margeiam os círculos formados pelos pivôs centrais, plantados com milho comercial, milho semente, aveia, soja, trigo, algodão, triticale, feijão, milheto, cevada, sorgo, arroz, e batata, contrastando com as áreas perenes de fruticultura, reflorestamento e, as nossas matas nativas ou implantadas beirando os reservatórios d’água, córregos e mananciais.
Neste cenário é fundada em 2001 a Aspipp – Associação do Sudoeste Paulista de Irrigantes e Plantio na Palha, nesta região onde o cooperativismo representa claramente o fortalecimento dos fatores de produção, com a iniciativa e esforço de todos envolvidos na cadeia agrícola**. 
Hoje pensamos não só em agradecer aos idealizadores destas tecnologias e aos pioneiros que relataram suas experiencias, como também em investir cada vez mais neste Celeiro do Estado que aponta a agricultura do sudoeste paulista com alta sustentabilidade, gerando empregos, renda e alimentos para a sociedade. 

Mauricio Swart - Engenheiro Agrônomo, Agricultor e Diretor Administrativo da ASPIPP

*Os agricultores da região sudoeste paulista tem em sua maioria formação agronômica em nível superior.
** Mais informações sobre o plantio direto na palha e a irrigação no sudoeste paulista podem ser obtidas através do site da aspipp: www.aspipp.com.br.

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